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Tricolor desde vidas passadas... mas com a lembrança mais remota de torcedor em 1983, no gol do Assis aos 45 do segundo tempo. Um começo e tanto! Interesses diversificados sobre artes em geral (literatura, cinema, teatro, música, quadrinhos, animação, artes plásticas).

terça-feira, 24 de julho de 2012

Torcida nas Laranjeiras na década de 1920

A torcida tricolor nas Laranjeiras, na década de 1920. 
Abaixo, a foto que inspirou a ilustração acima. 


Duas moças se destacam no meio de um público de futebol, onde o predomínio masculino ainda maior que o de hoje. Na frente, elas parecem mais sorridentes que seus companheiros de arquibancada. Na ilustração procurei destacar ainda mais as moças, combinando seus vestidos nas cores predominantes
da camisa tricolor. 

Nelson, nosso torcedor mais ilustre.

Inspirada em foto clássica de Nelson Rodrigues.

Nelson é um dos nomes mais lembrados no blog cultura tricolor justamente por acreditarmos que ele resume e representa como mais ninguém , a cultura tricolor. O genial escritor, dramaturgo e jornalista comparava, em suas crônicas esportivas,  as emoções do futebol a uma epopeia de um Homero, ou usava romances de Dostoiésvky ou Victor Hugo como referência ou metáfora para histórias da pelota. E o fazia com a mesma naturalidade e humor com que falava em Chacrinha, em chika-bon, com que bebia na cultura popular. Nelson é sem dúvida o nosso trovador maior. Todos as outras torcidas invejam até a raiz do cabelo o nosso Nelson Rodrigues.   


segunda-feira, 23 de julho de 2012

"Nasce o Fluminense"...a perspectiva romântica de Mário Filho

Legenda: 
Texto do Mário Filho, na fonte Courier. Do blog, na Trebuchet.

" Football ? Que vinha a ser "aquilo"? Oscar Cox tentava explicar. Havia um campo. Sim. O ouvinte abria os olhos, procurando ver o campo. Não era difícil imaginar o field. O Clube Brasileiro de Cricket tinha um. A coisa porém, se complicava quando Oscar Cox, balançando a cabeça, dizia que, fora o verde da grama, não existia semelhança alguma entre o campo de cricket e o campo de futebol. O campo de cricket sendo oval, o de futebol, retangular. "Então, dizia o outro, deixando de ver o field do Clube Brasileiro- então eu  não percebo nada". Mário Filho


  
Os fundadores do Fluminense, provavelmente após 1904, 
já com terno tricolor. O primeiro era cinza e branco. 


Mais uma vez fica difícil comprovar até que ponto havia algum exagero no relato de Mário Filho, respaldado apenas pelas lembranças de poucas testemunhas, recortes de jornal de Marcos Carneiro de Mendonça e outros. É também completamente possível que parte da alta aristocracia que, assim como Cox, já tivesse travado contato com o futebol, em viagens à Europa. Também é possível que Mário Filho ignorasse vestígios encontrados posteriormente, que revelem evidências da prática desde fins do século XIX. Longe de  mim querer desvalorizar a deliciosa prosa de Mário Filho,  cujo esforço hercúleo de recontar nuances da história do futebol  já serviu de base como fonte histórica fidedigna. Ao contrário, seu relato ganha mais valor, se percebermos nele mesmo, um vestígio da influência da imprensa na construção da história do futebol. Como extraordinário jornalista que era, interessava-lhe menos a segura veracidade dos relatos, do que, neste caso por exemplo, do caráter dramático e/ou romântico do mito do fundador, do pioneiro, ainda que a História, enquanto ciência se esforce em questionar. Se este herói fundador tiver vencido obstáculos, dificuldades, melhor ainda. O personagem preferido da imprensa: um Hércules e seus 12 trabalhos. O povo gosta de histórias de heróis, que venceram dificuldades e o esporte é um terreno fértil deles. Na crônica de Mário Filho, ele procura reproduzir o irrepetível: o fato ocorrido, com a maior riqueza de detalhes, e ao mesmo tempo, numa linguagem direta, coloquial, aberta ao grande público.  Então, reproduz com a minúcia dos precisos diálogos, Oscar Cox apresentando o futebol a seus amigos. Ao Rio de Janeiro, ou pelo menos, para a alta aristocracia carioca. Vamos à batalha de Cox... 


Football, um novo esporte sem graça?
"Oscar Cox tinha dezessete anos, e acabara de chegar da Suiça. Lá em Lausanne, ele jogava football   pelo Colégio de La Ville. hegando aqui, uma das primeiras coisas que ele queria saber foi"onde se pode jogar football?". Nunca lhe passara pela cabeça que o nome de um "esporte tão conhecido" soasse aos ouvintes de todo mundo- o todo mundo da Cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro de 97- como um termo misterioso. Quase indecifrável. Quem sabe se mandando buscar uma bola...a ideia encantou Oscar Cox. 

Ele encomendou uma bola Mac Gregor, número seis."

" A bola, porém, não resolvia tudo. Faltava um campo. Faltavam as balizas. Faltavam as redes. Faltavam, os jogadores. E Oscar Cox começou a sentir-se isolado. Mais isolado do que nunca. E agora a impressão que ele experimentava era de fracasso. Às vezes apareciam curiosos. Depois de uns dois chutes, todos paravam, desanimados, achando que o football não tinha nada de engraçado. "Quer saber de uma coisa, Oscar? Desista disso. O football é pau. Cacete como ele só. Não pega.ou você acha que é interessante a gente ficar aqui feito bobo vendo você jogar?" Oscar Cox acabou concordando. Agarrou a bola e levou-a para casa." 



Ilustração de 2009.
Incentivos do pai esportista.
"Como porém, deixar de pensar em football? O velho Emmanuel Cox (...) era o primeiro a animar o filho. Com um exeplo constante de entusiasmo pelo esporte. Fora ele, o velho Jorge Cox, quem tivera a ideia de fundar o Rio Cricket and Atlhetic Association. Parecia impossível, eis a conclusão que chegara Jorge Cox - que não houvesse um clube em Niterói com tanto inglês por perto." Em toda parte do mundo, uma dúzia de ingleses juntos formam um clube. Assim, nasceu em Niterói, o Rio Cricket. E com o Rio Cricket surgia também um campo."
" 'Arranje um team - foi o conselho do velho Jorge Cox a Oscar- e o resto será fácil.' Oscar Cox levou três anos de 98 ao ano primeiro do século XXI, para arranjar um team de football. Só de brasileiros. 
Quem vinha da Europa (...) vinha sabendo um pouco de football. Assim, se foi juntando gente (...)."
O team de brasileiros devia enfrentar um team de ingleses. Qual inglês que não dera um chute numa bola? E aí - era agosto de 1 - bem de manhã cedo, os tenistas do Rio Cricket and Athletic Association tiveram a atenção despertada por umas balizas colocadas nos extremos dos campos de cricket. Eles perguntaram ainda o que era aquilo quando apareceram os jogadores."
Sobre este jogo, a imprensa chegou a se envolver diretamente, referindo-se ao jogo como um Brasil x Inglaterra e aos brasileiros como "nós".  
Enquanto o velho Etchegaray explicava as regras aos tenistas, a bola rolava e Mário Filho vai relatando nuances do confronto. "Uma bola chutada por Caiwood Robinson não fora defendida por Clyto Portela. 'Foi goal - explicou o velho Etchegaray - Goal dos ingleses.' E quando Júlio de Moraes empatou, os tenistas do Rio Cricket compreenderam logo que tinha sido goal também." 





Ao empate com os ingleses, seguiram novos empates com os paulistas, nos primórdios do "Rio-São Paulo".        
  "Que faltava mais? Não bastava jogar aqui e ali, partidas de football. Era preciso mais alguma coisa. Um clube. A ideia do Fluminense (com o nome de Rio Football Club ainda)começava a perturbar as vigílias de Oscar Cox. E ele, um dia, surpreende os amigos com um convite. Quem estivesse de acordo com a fundação de um clube brasileiro de football, deveria comparecer, a hora tal, em tal lugar. E lá compareceu um grupo que se fez de engraçadinho. Oscar Cox deu início à sessão, em tom solene, declarando que, "como todos ali se achavam presentes estavam de acordo com a proposta apresentada"...E uma voz se fez ouvir: "Quem foi que disse que eu estava de acordo? Eu sou contra". O Fluminense teria que esperar, por causa disso, outra oportunidade para nascer."

Curioso destacar aqui a interpretação de Mário Filho, que chega a apresentar os diálogos com precisão de detalhes, atribui apenas a uma gracinha juvenil, a contrariedade de um descontente, sem apurar quem teria sido, quais os seus motivos e muito menos as razões que levavam a sua negativa ter um peso tamanho que inviabilizasse a tão desejada fundação do clube. Mas o episódio, apenas corriqueiro, é usado para reforçar a perseverança de Cox diante das dificuldades. Mas eis que se cumpriria o último obstáculo e no dia 21 de julho de 1902, "os portões da casa de Horácio Costa Santos, que ficava ali na Rua Marquês de Abrantes nº 51, se abriram para a cerimônia de fundação do Fluminense. Lá estavam Horácio Costa Santos, Mario Rocha, Walter Schuback, Felix Frias, Mario Frias, Moutinho, Luiz da Nóbrega Junior, Arthur Gibbons, Virgílio Leite de Oliveira e Silva, Manoel Rios, Américo da Silva Couto, Eurico de Moraes,A. C. Mascarenhas,Alvaro D. Costa, Julio de Moares, A.A. Roberts. E Manoel Rios presidiu a mesa, ladeado por Américo Couto e Oscar Cox. Oscar Cox estava com as mãos frias, de nervoso, e sentia um nó na garganta. Mas era de alegria: o Fluminense deixava de ser um sonho."   
           

domingo, 22 de julho de 2012

Tantas vezes campeão

Nossa sala de troféus...

 
Campeonatos Estaduais - 31
1906, 1907, 1908, 1909, 1911, 1917, 1918, 1919, 1924, 1936, 1937, 1938, 1940, 1941, 1946, 1951, 1959, 1964, 1969, 1971, 1973,1975,1976,1980, 1983, 1984, 1985, 1995, 2002, 2005, 2012 

Taça Guanabara - 09
1966, 1969, 1971, 1975, 1983, 1985, 1991, 1993, 2012.

Taça Rio - 02
1990, 2005.

Torneio Início - 06
1940, 1941, 1943, 1954, 1956, 1965

Torneio Municipal - 02
1938, 1948


Torneio Rio-São Paulo - 02
1960, 1967


Copa Rio Mundialito de clubes - 01
1952

Taça Olímpica - 01
1949

Campeonato Brasileiro - 03
1970, 1984, 2010

Torneios de Paris - 01
 1976, 1984


Taça Tereza Herrera - 01
1977 


Taça São Paulo de Juniores - 05
1971, 1973, 1977, 1986, 1989

sábado, 21 de julho de 2012

110 anos com amor e com vigor

Há exatos 110 anos, no dia 21 de julho de 1902, um grupo de fidalgos esportistas liderados por Oscar Cox, se reunia na casa de Horácio Costa, à Rua Marquês de Abrantes nº 51, para fundar o que seria o primeiro clube de futebol da então Capital do Brasil. Era a época em que o espírito esportivo se tornava um dos símbolos de modernidade e civilidade que a elite carioca buscava agregar à cidade de São Sebastião. Pereira Passos começava o seu "bota-abaixo" e, em três anos, abriria a Avenida Rio Branco, marco de uma ampla reforma urbana no Rio de Janeiro. Ideais esportivos já haviam sendo incutidos na população e lembrados em discursos como o de Rui Barbosa, como valores positivos a serem almejados por uma nação forte e sadia: mens sana e corpore sano. 

O jovem Oscar Cox, filho de Edward Cox, aristocrata inglês residente no Rio de Janeiro- igualmente envolvido com o mundo esportivo, havia fundado anos antes, o Rio Cricket Club, em Niterói - voltara um ano antes de seus estudos na Suiça (Hábito comum entre a alta aristocracia brasileira) disposto a continuar jogando o bom e velho esporte bretão que aprendera no Colégio La Ville, em Lausane. Não que nunca tivesse se jogado futebol no Rio de janeiro antes de Oscar Cox, pois já se encontrou indícios da prática ainda na última década do século anterior. Mas a fundação do Fluminense marcaria uma mudança, um começo de organização em torno do esporte. Dali, surgiriam novos clubes, ligas e o campeonato carioca,  a partir de 1906.
Mário Filho, na crônica "Nasce o Fluminense", fala em detalhes, de quando o jovem Oscar mandou buscar todo o equipamento necessário da Europa, e procurou apresentar aos amigos aquela novidade chamada football. No ano anterior, o primeiro do século, este grupo marcou uma partida contra o São Paulo Atlhetic (que nada tinha a ver com o tradicional São Paulo F.C). Dois empates (2 a 2 e 0 a 0) contra os paulistanos podem ser considerados um ótimo começo, visto que o futebol já estava bem mais evoluído e estruturtado em São Paulo.
Os bons resultados certamente motivaram o grupo a fundar o Rio Football Club. Isso mesmo, este seria o nome inicial do Fluminense, se  já não tivesse sido registrado,  resultando no  Rio Football Club. Nos amistosos marcados com os paulistanos, a imprensa local referia-se aos jogadores do Rio como a equipe dos rapazes fluminenses. Buscando origens no vocábulo latino "flumen", que significa "relativa ao Rio", o Fluminense significa clube do Rio.
E, após algumas tentativas frustradas, Oscar Cox conseguiu o consenso necessário para a fundação do clube. Nascia o Fluminense. Pois a primeira partida oficial do Fluminense seria em 19 de outubro de 1902, contra o clube que havia nos levado o primeiro nome. A resposta veio em campo, e o Fluminense começou com o pé direito, com uma sonora goleada: 8 a 0, com direito a 3 gols de Horácio Costa, o anfitrião da fundação do clube .

Súmula do primeiro jogo. 
Fluminense 8 x 0 Rio Football
Data: 19 de outubro de 1902.
Estádio: Campo do Payssandú Cricket.
Juiz: Louis Nóbrega Júnior.

Fluminense: Américo Couto; Mário Frias e Victor Etchegaray, Mário Rocha, Oscar Cox e Walter Schuback; Adolpho Simonsen, Eurico de Moraes, Horácio Costa, Heráclito Vasconcelos e Félix Frias.

Rio Football: R. Belfort;  T. Mackintosh e H. Palm, B. Lokhost, Alvarenga Senior e D. Croik, T. Pereira. Alvarenga Júnior,. H. Brenton, J. Stweart e A. Cerqueira.

Gols: Horácio costa (3), Heráclito Vasconcelos (2), Félix Frias, Eurico de Moraes e Adolpho Simonsen.


De Botafogo à Laranjeiras
 A primeira idéia de Cox era construir uma sede. Como a tentativa de alugar o terreno na Rua Dona Mariana, em Botafogo, o destino acabou levando a sede para o terreno nas esquians do Rua Guanabara e Roso. Inicialmente alugado ao Banco da República, Eduardo Guinle acabou adquirindo o terreno em 1904 e mandou construir a arquibancada.    
Em 1919, a  recém criada CBD solicitou a ajuda do Fluminense para abrigar a seleção brasileira quando o Brasil iria sedear o campeonato  sul-americano de futebol, que viria a ser a pimeira conquista da seleção brasileira. O Fluminense, então, conseguiu um empréstimo junto ao Banco do Brasil e construi um estádio para capacidade de 18 mil pessoas, o maior na época.

Ilustração: Flavio Pessoa, 2009. "Nasce" o Fluminense. 

A atual sede na década de 1920.

O time do Fluminense ainda com o primeiro uniforme

História do uniforme tricolor.
A alta sociedade carioca que se dedicava às práticas esportivas cultivava o esporte como um símbolo de civilidade, e um hábito aristocrata. Para manter a diferenciação, importavam todo o material. Reza a lenda, que o atual uniforme tricolor foi escolhido por acaso, quando um grupo de dirigentes em viagem à Inglaterra para comprar o tecido para o uniforme, mas não encontrou o conza e branco (segundo Hilário Franco Júnior, autor de a dança dos deuses, obra de sociologia sobre o esporte bretão, os uniformes dessa época eram muito sem cor, onde as cores "neutras" como cinza, preto e branco predominavam.
Mas os dirigentes encontraram no uniforme tricolor uma boa oportunidade de mudança e escreveram aos demais dirigentes no Rio, sugerindo a mudança. No primeiro campeonato carioca, em 1906, primeiuro troféu do clube, o Fluminense já era tricolor.   

Réplica do primeiro uniforme do Fluminense.

terça-feira, 17 de julho de 2012

Doces Milagres parte 01

Por enquanto, encaminho, depois de um longo inverno... parte da primeira diagramação
de 
"Doces Milagres", história em quadrinhos livremente inspirada no relato
do amigo tricolor, Flavio Henrique de Medeiros.
Em breve acrescentarei a parte referente à final de 95, continuação da história...  





sexta-feira, 6 de julho de 2012

100 anos esta tarde. O primeiro Fla-Flu!

                                            
Ilustração: Flavio Pessoa. Ano: 2009.
Longe de mim querer desmentir Nelson Rodrigues, mas o Fla-Flu começou 40 minutos antes do nada da mesma forma que ele já era tricolor desde vidas passadas, mesmo tendo nascido dez anos depois da fundação do clube. Mas a história deste primeiro Fla-Flu merece ser lembrada. Este mais famoso clássico do futebol brasileiro foi logo mostrando a que veio, desde o primeiro minuto do primeiro confrontro. Mas para tanto é preciso retroceder um pouco mais no tempo.  

Preliminares
Setembro de 1911. Assaf e Martins nos fazem voltar no tempo, ora vejam, o período de uma gestação, cerca de 9 meses, para relatar as origens do clássico que amanhã faz 100 anos. Disse do clássico, como poderia dizer do futebol do Flamengo, pois  a partir daí seria possível que surgisse a disputa, o embate. Mas o caso é que o Fluminense iria jogar o penúltimo jogo do torneio de 11. Na época, como não havia a figura do técnico, quem escalava o time era uma comissão técnica. Alberto Borgerth, que compunha o committee e também era jogador chegou a sugerir que o time fosse consultado, mas Afonso de Castro foi contra, alegando o risco de abrir um precedente perigoso. Por causa de dois jogadores, Oswaldo Gomes e Ernesto paranhos, preferido pela comissão, contra Arnaldo Guimarães e o próprio Borgerth, preferidos pela maioria dos jogadores, com exceção óbvia dos dois primeiros escalados pela comissão. No dia 21 de setembro os jogadores insatisfeitos decidiram terminar os compromissos no campeonato, garantindo o título para o clube e depois abandoná-lo. A ideia dos jogadores era procurar um clube que já fosse estruturado mas que não tivesse ainda um departamento de futebol.   É necessário dizer que aquele time do Fluminense campeão em 1911, que iria vestir a camisa rubro-negra no ano seguinte era arrasador. Seis jogos, seis vitórias. 21 gols a favor, apenas 1 contra.
Pois bem.Este time arrasador iria todo para o Flamengo, com exceção dos jogadores preferidos pela comissão técnica, que causaram a polêmica. E o primeiro confronto entre os dois, após a cisão, o novo futebol do Flamengo era favorito diante do time que mais vezes tinha sido campeão carioca, do mais antigo clube de futebol da cidade, que havia conquistado 5 dos 6 certames disputados. E não bastasse isso, este último parecia ser o mais devastador, ganhando todos os 6 jogos, com direito a 3 goleadas. 
Mas o futebol do Flamengo não  teve lá aquela receptividade esperada. Como clube de regatas, não havia campo para os treinos. Outra prova do descaso (ou desconfiança) do clube quanto ao futebol estava na camisa. O Flamengo entrou em campo com a camisa "papagaio-de-vintém". Não podiam usar o oficial, imaginem, do time de regatas.  


Esta foto é o único registro visual da histórica partida. 

O jogo. 
O primeiro Fla-Flu da história não teve a assistência que merecia, nem a sombra da cobertura que os jornais de hj dão ao clássico. Este Fla-Flu ainda não era Fla-Flu. E não me refiro só à sigla (leia abaixo, a origem da abreviação). Ainda não estava marcado como um clássico. O futebol do Flamengo estava ainda-digamos- em fase de teste, só que jogando com um dos melhores times do campeonato. Já o Fluminense ficou desmantelado após a saída de nove jogadores titulares.  Esperava-se uma vitória sem dificuldades do quadro rubro-negro. Talvez tenha sido justamente a surpresa que garantiu a sustentabilidade do clássico. Coisas de Fla-Flu.    
Mas o Fluminense começou de cara abalando as convicções rubro-negras de superioridade com um gol de Edward Calvert na saída de bola. E o Flamengo empataria logo depois com Arnaldo Guimarães, um dos que estavam no centro da polêmica no ano anterior. No segundo tempo, James Calvert fez 2x1 para o tricolor. Restando dois minutos, Píndaro volta a empatar. Mas o primeiro de todos tinha que ser ainda mais surpreendente. Em jogada pessoal, Bartholomeu fez o terceiro no minuto final.
     

Curiosidade da silga.
O primeiro Fla-Flu que ainda não era Fla-Flu. A Sigla não seria criada por Mário Flho, como muitos pensam. No máximo, eternizada por ele. A sigla surgiu assim de forma pejorativa.  Em 1925, a seleção carioca foi formada somente por jogadores dos dois times.  Os torcedores dos times rivais que não se sentiam representados por aquele selecionado, passaram a usar a sigla para se referir àquela seleção que não passaria, então, de um combinado Fla-Flu. Em tempo: o combinado Fla-Flu acabou conquistando o título de brasileiro de seleções, muito popular na época. 


Mário Filho sobre o primeiro Fla-Flu.
Os dois irmãos escreveram sobre a primeira partida, mas foi Mário que se dedicou mais a falar do jogo. Do jogo só, não. Dos pormenores, do português tratador do campo do Fluminense e do famoso burrico Faísca, que pisava de luvas no gramado (nas Laranjeiras, até o burro andava a rigor). Devemos lembrar que Mário Filho desde sempre se dedicou a escrever sobre esporte, a promover o esporte. Foi editor do Jornal dos Sports, escreveu livros antológicos sobre a história do futebol brasileiro. Como bom jornalista, carregava no caráter emocional das partidas, e muitas das histórias por ele relatadas não se pode pôr a mão no fogo. Não importa. São maravilhosas e merecem nosso apreço.     
Do que Nelson Rodrigues fala, já tratamos aqui, no post que fala dos irmãos Karamazov do futebol. Mário Filho Relata o almoço dos jogadores, os preparativos para a partida, as reações da torcida. Coincidência alguma se veio à mente do leitor, as crônicas de hoje, principalmente as reportagens de TV.

Súmula:

FLUMINENSE 3 X 2 FLAMENGO (1-1)
Competição: Campeonato Carioca – (primeiro turno)
Local: Laranjeiras
Juiz: Frank Robinson
Público: 800
Fluminense: Laport, Maia, Belo, Leal, Mutzembecker, Pernambuco, Osvaldo, Bartô, Behrmann, Edward Calvert e James Calvert.
Flamengo: Baena, Píndaro, Nery, Cintra, Gilberto, Galo, Orlando, Arnaldo, Borghert, Gustavo, Amarante.
Gols: Edward Calvert (1), Arnaldo (4), James Calvert (57), Píndaro (70), Barthô (72).


Referências consultadas:
ASSAF, Roberto e MARTINS, Clóvis. FLA X FLU: o jogo do século – Rio de Janeiro: Letras e Expressões, 1999.
RODRIGUES, Nelson e FILHO Mario. FLA-FLU… e as multidões despertaram. (org. Oscar Maron Filho e Renato Ferreira. Rio de Janeiro: Ed. Europa, 1987.


http://historiadoesporte.wordpress.com/2010/09/15/origens-dos-classicos-iii-o-primeiro-fla-flu/